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Mostrando postagens de junho, 2026

Territorialidade, Desenvolvimento Territorial e as Contradições da Seleção Nacional do Minha Casa, Minha Vida Rural

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Territorialidade, Desenvolvimento Territorial e as Contradições da Seleção Nacional do Minha Casa, Minha Vida Rural O Programa Minha Casa, Minha Vida Rural foi concebido para fortalecer comunidades rurais, ampliar o acesso à moradia digna e contribuir para o desenvolvimento dos territórios. Entretanto, quando a lógica da seleção privilegia entidades completamente desvinculadas da realidade local, instala-se uma profunda contradição entre os objetivos da política pública e sua execução. O princípio da territorialidade não representa apenas um conceito geográfico. Trata-se de um fundamento técnico das políticas públicas contemporâneas. O território é o espaço das relações sociais, das identidades coletivas, das organizações comunitárias, das redes de solidariedade e da construção histórica do capital social. Uma entidade que atua permanentemente em determinado município conhece as famílias, visita os domicílios, participa dos conselhos, acompanha conflitos, identifica vulnerabilidades e...

A IRRACIONALIDADE PROGRAMADA DA SELEÇÃO NACIONAL: INDICADORES SOCIAIS, DESPERDÍCIO INSTITUCIONAL E A FALSA UNIVERSALIDADE DA POLÍTICA HABITACIONAL

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A IRRACIONALIDADE PROGRAMADA DA SELEÇÃO NACIONAL: INDICADORES SOCIAIS, DESPERDÍCIO INSTITUCIONAL E A FALSA UNIVERSALIDADE DA POLÍTICA HABITACIONAL Há uma contradição estrutural no modo como determinadas políticas públicas habitacionais vêm sendo organizadas no Brasil: o Estado define critérios sociais e indicadores territoriais capazes de revelar, antes mesmo do lançamento de qualquer edital, onde estão concentradas as maiores vulnerabilidades; contudo, em vez de utilizar esse mapa prévio para direcionar a ação pública de forma racional, econômica e estratégica, lança seleções amplas para todo o território nacional, mobilizando entidades, técnicos, movimentos sociais, Caixa Econômica Federal, Ministério das Cidades, municípios e comunidades em uma disputa excessivamente custosa, desgastante e, em muitos casos, desnecessária. A questão central é simples, mas profundamente incômoda: se os próprios critérios sociais já indicam onde a política deve incidir, por que abrir uma seleção nacio...

Movimentos sociais de gabinete e a captura do território: uma crítica necessária ao ciclo 2025-2026 do Minha Casa Minha Vida

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Movimentos sociais de gabinete e a captura do território: uma crítica necessária ao ciclo 2025-2026 do Minha Casa Minha Vida Estou profundamente incomodado com a cena política que se desenhou em torno da seleção do programa Minha Casa Minha Vida no ciclo 2025-2026. Algumas entidades autodenominadas movimentos sociais passaram a circular nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp exibindo fotografias em Brasília, em gabinetes, corredores ministeriais e ambientes institucionais, dois dias antes da divulgação dos resultados, como se a efetividade da seleção dependesse menos dos critérios públicos do chamado edital e mais da capacidade de comparecer fisicamente aos centros de poder. E aqui começa a contradição. Afinal, o que é um edital? Um edital não é um enfeite burocrático, nem uma peça teatral para dar verniz republicano a decisões previamente acomodadas. Um edital é, ou deveria ser, o instrumento público que organiza uma concorrência com base em critérios objetivos, impessoalidade, i...

A UNIVERSALIDADE DE FACHADA E A PROMESSA RACIONADA DA HABITAÇÃO POPULAR

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A UNIVERSALIDADE DE FACHADA E A PROMESSA RACIONADA DA HABITAÇÃO POPULAR Ofereço este artigo aos responsáveis técnicos pelo trabalho social em habitação, aos presidentes e dirigentes das entidades do terceiro setor, às associações, sindicatos, cooperativas, comunidades quilombolas, povos indígenas, agricultores familiares, assentamentos, movimentos populares e a todas as famílias que participaram deste grande ciclo da habitação popular no Brasil. Eu sei o que a maioria de vocês está sentindo. Este texto nasce da esperança mobilizada, do trabalho acumulado e da frustração silenciosa de quem acreditou em um direito anunciado para muitos, mas entregue a poucos. Não é uma crítica contra a política pública; é uma crítica contra a ilusão vendida quando a moradia, em vez de se materializar como direito, transforma-se em espera, seleção e promessa racionada. A política pública habitacional brasileira vive uma contradição profunda: ela reconhece formalmente a desigualdade, cria critérios sociai...

Psicopolítica, autoexploração, mimetismo social e dissociação cognitiva na fábrica contemporânea das subjetividades

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Psicopolítica, autoexploração, mimetismo social e dissociação cognitiva na fábrica contemporânea das subjetividades Há épocas em que a dominação se apresenta com botas, baionetas, grades e decretos. Há outras, mais refinadas e perversas, em que ela chega perfumada, motivacional, sorridente, vestida de liberdade, vendendo curso de alta performance e prometendo que todo fracasso é apenas falta de esforço individual. A brutalidade contemporânea não desapareceu; apenas aprendeu a falar baixo, a usar crachá, algoritmo, coaching, gamificação e discurso de oportunidade. O chicote não foi abolido: foi interiorizado. Tornou-se meta, produtividade, engajamento, ansiedade, culpa e comparação permanente. É nesse ponto que a psicopolítica, a autoexploração do trabalho contemporâneo, o mimetismo social e a dissociação cognitiva se encontram como engrenagens de uma mesma maquinaria histórica: a produção de sujeitos que defendem, desejam e reproduzem as formas de sua própria subordinação. A sociedade...